Transplante renal: a inspiradora história de Bárbara Marques
Há histórias que nos atravessam. Que nos fazem parar. Respirar fundo. E repensar o que realmente importa.
A história da Bárbara é uma dessas. Não é apenas sobre doença, hospitais ou tratamentos. É sobre coragem. Sobre fé. Sobre a força que nasce quando tudo parece desabar.
Esta é a história da Bárbara. Uma história real. Uma história que nos lembra que, mesmo quando tudo parece escuro, há sempre uma luz que nos guia. E essa luz, muitas vezes, vem de dentro.
Conheces a história da Bárbara Marques?
Ela tem 41 anos, é aromaterapeuta e fundadora da página “Sonhos Azuis e Brancos”, presente no Facebook e Instagram. Criou este cantinho há 12 anos, ainda estava grávida do seu primeiro filho, como forma de partilhar inspiração e bem-estar.
Mas a história da Bárbara começa muito antes disso. Desde criança que vive com uma doença renal crónica. Nasceu com refluxo urinário e, desde muito pequena, enfrentou infeções urinárias recorrentes. Aos 7 anos foi submetida a uma cirurgia que melhorou significativamente a sua saúde, embora os rins continuassem frágeis, exigindo acompanhamento médico constante.
Na adolescência, surgiu um novo desafio: um agravamento súbito da função renal levou-a a ser internada e a iniciar um tratamento exigente para a sua idade. Foi também nessa altura que lhe diagnosticaram hipotiroidismo.
Apesar de todas as dificuldades, a Bárbara nunca deixou de lutar. Conseguiu manter uma vida relativamente normal, sempre com o apoio da medicina e uma força interior admirável. A sua história é marcada por desafios, sim – mas também por uma esperança que nunca a abandonou.
O desafio da doença e o sonho de ser mãe
Ser mãe sempre foi um sonho para a Bárbara. Mas, com a sua condição de saúde, sabia que teria de se preparar bem para o esforço que o corpo iria enfrentar. Após o nascimento do primeiro filho, o rim ressentiu-se ... mas resistiu.
Na segunda gravidez, os desafios intensificaram-se. Às 30 semanas, teve de ser internada para tentar segurar o bebé. Consegui chegar às 33 semanas – o bebé nasceu prematuro e precisou de cuidados neonatais.
Dois dias depois, Bárbara foi transferida para outro hospital, longe do recém-nascido ... e longe do filho mais velho, que tinha apenas 3 anos. Foi um momento profundamente doloroso, mas necessário: era urgente iniciar a hemodiálise para salvar a sua vida.
Foram dias difíceis de descrever. Ela recorda a primeira noite, passada a chorar, convencida de que a sua vida nunca mais seria igual. E, de facto, não foi. Mas com o tempo, adaptou-se à nova rotina e descobriu forças onde pensava não ter.
Nunca esteve sozinha. O marido esteve sempre ao seu lado, incansável. A mãe foi um pilar essencial, sempre “por conta deles”. O pai e os sogros também foram fundamentais, ajudando no cuidado dos filhos e na gestão da casa. Graças a este apoio incondicional, Bárbara conseguiu enfrentar cada etapa com coragem. A eles, reconhece uma parte importante da sua caminhada.
Hemodiálise e esperança
“Foram 6 anos e 3 meses de hemodiálise, sempre a repetir baixinho para mim mesma: ‘Tudo vai correr bem.’ E todos os dias escrevia num caderno preto: ‘Gratidão pela minha cura renal’.”
No dia 22 de junho de 2023, num gesto de esperança, levou uma flor branca ao Hospital de São João. Em silêncio, fez um pedido: que o seu transplante chegasse. Dois meses depois, a 22 de agosto, recebi a tão esperada chamada ... enquanto estava na praia.
Foi um momento de pura emoção. Choraram juntos – ela, o marido e os filhos – sem saber o que o dia seguinte lhes reservava, mas com a certeza de que estavam unidos. A esperança, que sempre a acompanhou, finalmente começa a transformar-se em realidade.
Da esperança ao transplante renal
No dia 23 de agosto de 2023, a Bárbara foi finalmente transplantada. Graças ao Serviço Nacional de Saúde e ao programa de dádiva de órgãos, recebeu uma verdadeira dádiva de amor – um novo rim que lhe salvou a vida.
Desde então, como ela própria costuma dizer, o seu novo rim funciona como um verdadeiro Ferrari. E acredita que assim continuará.
“O que me salvou ao longo deste caminho foi acreditar e ter fé. Nunca perder a esperança e ser grata, todos os dias, pelo que a vida ainda tinha para mim.”
A 23 de agosto de 2025, a Bárbara celebra dois anos desde o transplante. E cada novo dia é vivido como uma oportunidade de agradecer este renascimento – à vida, à pessoa que lhe deu esta nova oportunidade, à família, aos profissionais de saúde que a acompanharam ... e a todos os que a amaram e ajudaram a não desistir.
Cada dia é um presente. Bárbara vive com gratidão, fé e amor – celebrando a vida que renasceu com o seu transplante. A sua história é prova de que, mesmo nos caminhos mais difíceis, a esperança pode florescer.
Imagens cedidas gentilmente pela Bárbara Marques.
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