A Realidade do Abandono Animal em Portugal

‍Todos os anos, milhares de animais são abandonados em Portugal. São vidas que precisam de toda a tua atenção. O Abandono Animal continua a representar um desafio para o bem-estar animal em Portugal. Para o compreender, é preciso olhar além dos números e conhecer as circunstâncias, os comportamentos e as decisões que podem estar na origem de cada situação.

Quando pensas na relação que constróis com o teu animal de companhia, esta realidade torna-se ainda mais difícil de compreender.

Para muitas pessoas, um cão ou um gato ocupa um lugar especial dentro de casa e na própria família. Partilha, afetos, passeios, momentos de tranquilidade e até aqueles pequenos episódios que, anos mais tarde, são boas recordações.

Então, como explicar que tantos animais continuem a viver nas ruas?

Para responder a esta pergunta é preciso olhar para o abandono, além das estatísticas. É preciso compreender os comportamentos, as circunstâncias, as decisões e também as possibilidades de prevenção.

 

O amor que nunca te abandona: a relação com os animais de companhia

Imagina chegares a casa depois de um dia exigente.

Ainda estás a pousar as chaves quando ouves passos rápidos na tua direção. Levantas os olhos e encontras aquele olhar doce, sincero e cheio de entusiasmo que festeja o teu regresso a casa.

Se partilhas a vida com um animal de companhia conheces bem esta sensação.

Uma festa, uma caminhada, alguns minutos de carinho ou a presença junto ao sofá transformam um momento banal numa memória muito especial.

Com o passar do tempo, o cão ou o gato é parte da tua família. Integra as rotinas do dia a dia, acompanha as mudanças, faz parte das alegrias e está presente durante as fases mais exigentes da tua vida.

Além disso a relação traz benefícios para a tua saúde física e emocional. Diversos estudos, como o do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e os divulgados pelos Lusíadas Saúde associam a convivência com animais de estimação à redução do stresse, ao combate à solidão, à promoção da atividade física e ao fortalecimento das ligações afetivas.

Podes conhecer melhor esta relação no artigo “O Papel de um Animal de Estimação na Tua Vida”.

Esta ligação torna ainda mais difícil olhar para outra realidade.

Milhares de animais de companhia continuam a ser abandonados todos os anos em Portugal, ficando expostos à falta de abrigo, alimentação regular, cuidados veterinários e proteção.

Perante uma situação destas, já te perguntaste:

Como conseguimos criar relações tão fortes com os animais de companhia e ao mesmo tempo, assistir a tantos casos de abandono?

Para compreender esta realidade, precisas de conhecer as principais causas e ouvir as histórias relacionadas a cada caso. Precisas de conhecer os números.

Só assim consegues compreender porque é que o abandono continua a representar uma das maiores feridas no bem-estar animal em Portugal.

 

Abandono Animal em Portugal: o que mostram os números?

Depois de reconheceres o lugar que um animal de companhia ocupa na tua vida, chegas a uma realidade que vale uma reflexão séria.

Milhares de animais vivem em situação de abandono em Portugal, enquanto muitas famílias continuam a enfrentar dificuldades relacionadas com a proteção, a identificação, a esterilização e o acompanhamento dos seus animais de companhia.

 

Mais de 930 000 animais errantes em Portugal

Segundo o Censo Nacional de Animais Errantes 2023, desenvolvido pelo Departamento de Biologia e pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro para o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com financiamento do Fundo Ambiental, estima-se a existência de mais de 930 mil animais errantes em Portugal Continental. De referir que “animal errante” não significa necessariamente “animal abandonado”.

Deste universo, cerca de 830 541 são gatos e 101 015 são cães.

São centenas de milhares de animais expostos diariamente aos perigos da rua, à escassez de alimento, a doenças, acidentes, condições meteorológicas adversas e ausência de cuidados veterinários.

Importa também que compreendas o conceito de animal errante.

 

Animal errante e animal abandonado

A designação de animal errante inclui animais abandonados, animais que nasceram sem dono conhecido e alguns animais com família, que circulam livremente durante parte do dia em espaços públicos ou propriedades alheias.

Por detrás destes números, existem histórias reais.

Cães que estão junto a estradas à espera de alguém que vai regressar. Gatos que procuram abrigo em garagens, jardins ou terrenos abandonados. Animais que dependem da atenção de desconhecidos para conseguir alimento, proteção ou cuidados de saúde.

Cada número representa uma vida.

 

Porque é que os portugueses têm animais de estimação?

O mesmo estudo apresenta também uma realidade positiva. A relação afetiva entre os portugueses e os seus animais de companhia apresenta uma expressão muito forte.

Entre os tutores de gatos, 78 % indicam a companhia como principal motivação para terem um animal, enquanto apenas 3 % referem motivos utilitários.

No caso dos cães, a percentagem sobe para 88 %.

Estes dados mostram uma transformação importante na forma como os animais são percecionados. Cães e gatos ocupam cada vez mais o lugar de companheiros de vida e membros da família, associados ao equilíbrio emocional e ao bem-estar quotidiano.

 

A adoção continua a ser o ponto de partida para muitas famílias

Outro aspeto encorajador é a forma como muitos animais chegam às famílias portuguesas.

De acordo com os dados do Censo Nacional de Animais Errantes 2023, entre os tutores de gatos, 68,6 % referem ter encontrado o animal, enquanto 29,5 % indicam a adoção através de abrigos ou associações de proteção animal. Mais de 95 % dos detentores de gatos referem não ter pagado pela aquisição dos seus animais. Nos cães, cerca de 37,4 % foram encontrados, 33,3 % chegaram através de abrigos e 24,5 % foram oferecidos por familiares ou amigos.

Estes números revelam uma sociedade onde muitas pessoas continuam a abrir as portas de casa a animais que precisam de uma segunda oportunidade.

Ao mesmo tempo, centenas de milhares de cães e gatos permanecem fora de um contexto familiar seguro.

Esta realidade levanta uma questão pertinente. Se os animais de companhia ocupam um lugar tão significativo nas famílias portuguesas, porque continua o abandono a fazer parte da nossa sociedade?

A principal resposta passa pelo calendário.

 

Abandono animal no verão: o que mostram os dados?

O verão representa uma fase particularmente exigente para muitos animais de companhia.

Enquanto famílias organizam férias, viagens e mudanças de rotina, associações de proteção animal, centros de recolha e autoridades enfrentam um período associado ao aumento das ocorrências de abandono.

Segundo dados divulgados pela Guarda Nacional Republicana (GNR) no âmbito do Dia Internacional do Animal Abandonado, assinalado a 15 de agosto, foram registados 471 crimes de maus-tratos e abandono de animais de companhia durante o primeiro semestre de 2026. Destes, 312 correspondem a maus-tratos e 159 a abandono.

Os meses de julho e agosto concentram cerca de 38 % dos casos anuais de abandono, de acordo com a mesma fonte, num padrão frequentemente relacionado com férias e ausências prolongadas das famílias.

Em 2025 foram registados 633 crimes de maus-tratos e 373 de abandono. Em 2024, os números foram de 591 crimes de maus-tratos e 389 de abandono.

Entre janeiro de 2024 e junho de 2026, a atividade de fiscalização e investigação da GNR resultou no registo de 2457 crimes relacionados com animais de companhia. Durante esse período foram detidas 28 pessoas, identificados 1449 suspeitos e constituídos 432 arguidos.

Braga, Setúbal, Porto e Lisboa surgem como os distritos com maior número de ocorrências, uma realidade que as autoridades relacionam também com a maior densidade populacional destas regiões.

Estes números ajudam a perceber porque é importante falar de Abandono Animal no verão, mas contam apenas uma parte da realidade. Em cada ocorrência existe um animal que perde, de forma repentina, aquilo que conhece como segurança e proteção.

Por exemplo:

  • Um cão deixado numa área de serviço à espera de alguém que vai regressar.

  • Um gato abandonado numa zona desconhecida à procura de abrigo e alimento.

 Perante esta realidade, torna-se importante olhares para aquilo que acontece antes do abandono e compreenderes o papel da detenção responsável na prevenção.

 

Quais são os fatores associados ao abandono animal?

O abandono costuma ser associado ao momento em que um animal é deixado numa estrada, num espaço público ou junto a um abrigo, mas a realidade pode começar bastante tempo antes. Através de falhas na detenção responsável que, acumuladas ao longo do tempo, aumentam a exposição do animal a situações de risco.

 

Porque é importante identificar o animal?

A identificação eletrónica representa uma ferramenta para aumentar a possibilidade de um animal perdido regressar à sua família. Ainda assim, cerca de 35 % dos tutores de gatos admitem ter pelo menos um gato sem identificação e registo oficial.

Quando um animal desaparece ou é encontrado por outra pessoa, a existência de microchip e registo atualizado pode facilitar significativamente o reencontro.

 

Que riscos existem na circulação sem supervisão?

O Censo Nacional de Animais Errantes 2023 revela que 29 % dos tutores de gatos permitem a circulação livre no exterior sem supervisão, enquanto nos cães essa percentagem se situa nos 8 %.

A circulação sem vigilância aumenta a exposição a atropelamentos, doenças, desaparecimentos e reprodução não controlada.

A liberdade de circulação precisa, por isso, de ser acompanhada por uma avaliação responsável dos riscos existentes no ambiente onde o animal vive.

 

Como pode a esterilização ajudar a prevenir o abandono animal?

A reprodução também representa uma dimensão importante na prevenção do abandono.

Cerca de 25 % dos tutores de cães afirmam não utilizar qualquer método de contraceção. Entre as principais barreiras surge o fator económico, sendo o custo da esterilização referido por 50 % dos tutores de gatos e 46 % dos tutores de cães.

Falar de esterilização significa, por isso, falar também de acesso e apoio aos tutores.

 

Quem está mais exposto a estas fragilidades?

Segundo o Censo, os índices mais baixos de detenção responsável surgem com maior frequência em contextos rurais, em agregados familiares com vários animais, entre detentores dos 18 aos 34 anos e quando a principal motivação para ter um animal está associada a fatores diferentes da companhia.

Estes fatores ajudam a identificar contextos onde a sensibilização e o apoio podem produzir resultados relevantes.

Cada situação merece ser compreendida dentro da sua realidade.

 

Animal em casa: quando as circunstâncias mudam

A vida familiar, profissional e financeira pode sofrer alterações evidentes. Entre os motivos apontados por alguns inquiridos que já passaram por situações de entrega ou cedência de um animal surgem dificuldades económicas, limitações de espaço, problemas comportamentais e doença.

Estes dados mostram que algumas situações de abandono ou entrega estão relacionadas com dificuldades que a família não conseguiu antecipar no momento da adoção.

Esta constatação abre espaço para uma dimensão fundamental da prevenção, que se centra na informação, planeamento e acesso a apoio, quando surgem dificuldades.

 

O animal pode escolher a família

Os números ajudam-nos a compreender a dimensão do Abandono Animal. Uma história concreta consegue, muitas vezes, aproximar-te ainda mais daquilo que esses números representam. A história da Amélia é um excelente exemplo.

 

Não houve planeamento, mas aconteceu

Sebastião, estudante de Economia, tinha a certeza de que naquele momento da sua vida, queria manter distância de uma nova experiência com animais. Depois de perder o seu gato, Óscar, sentia que precisava de tempo para processar essa perda.

A vida, porém, desafiou-o! A Amélia!!

"A Amélia escolheu-nos a nós. Não fomos nós que a escolhemos."
— Sebastião Nobre

Para Sebastião, a adoção foi inesperada. Uma pequena gata, assustada e visivelmente debilitada, entrou em casa.

"Eu e a Karola ficámos logo apaixonados por ela. Era muito pequenina e estava num estado péssimo. Fomos ganhando a confiança dela devagarinho."
— Sebastião Nobre

A confiança foi construída com tempo e paciência. A Amélia aproximava-se da comida, afastava-se e regressava novamente. Todos os pequenos passos eram importantes porque a ajudavam a criar uma relação de segurança.

Chegou o momento de a levar ao veterinário.

O Sebastião percebeu no veterinário que aquela pequena gata já tinha conquistado um lugar na família.

"Lembro-me de pensar: E agora? Não posso voltar para casa e deixá-la novamente na rua. Isso é impossível."
— Sebastião Nobre

Sebastião ligou para o pai a contar que tinha encontrado uma gata dentro de casa e que tinham de ficar com ela.

O pai disse-lhe:

"Não vamos nada ficar com a gata, está cheia de doenças, se calhar a gata é de alguém. Não vamos ficar com gata nenhuma!"
— Rui Nobre

Sebastião argumentou:

"Então, está bem. Ela agora está aqui connosco, vamos fazer videochamada contigo."
— Sebastião Nobre

Fizeram ligação por videochamada e o pai de imediato se apaixonou pela Amélia.

Sebastião solta uma gargalhada quando diz:

"Foi fácil."
— Sebastião Nobre

Depois dos cuidados veterinários necessários, a pequena gata regressou a casa. Encontrou ali o seu lugar.

Hoje, a Amélia faz parte da família.

 

Duas gatas. Duas histórias diferentes.

Atualmente, a família partilha a casa com duas gatas de origens distintas.

 

Amélia

A Amélia chegou da rua, frágil e assustada, depois de conquistar o coração de todos. Cresceu com um espírito independente e aventureiro, uma característica que Sebastião aprecia particularmente.

"Não é muito de mimos. Chega-se a nós, fica 30 segundos e vai-se embora."
— Sebastião Nobre

A curiosidade continua a fazer parte da sua personalidade:

"Já teve alguns sustos com outros gatos, mas nunca perde a vontade de ir para a rua. Já caiu na piscina a tentar apanhar pássaros. Tivemos de a ir salvar toda molhada."
— Sebastião Nobre

Júlia

A Júlia chegou através de amigos da família. Apresenta um temperamento diferente.

"Está sempre no canto dela. Não incomoda ninguém. É mais reservada e cautelosa, participa igualmente na dinâmica da família."
— Sebastião Nobre

Tem episódios surreais que acabam por se transformar em histórias familiares.

Sebastião conta a rir:

"Uma vez encontrei a Júlia dentro de um tacho. Chorei a rir. Outra vez fez xixi em cima do meu pai quando ele a levou à rua."
— Sebastião Nobre

Duas histórias diferentes conduziram ao mesmo destino. Uma casa onde encontraram segurança, amor e espaço para viver.

 

Abandono Animal: também existem razões para ter esperança

Quando olhas para a realidade do abandono animal, os números podem parecer esmagadores. Ao mesmo tempo, existem sinais positivos.

Segundo o Relatório Anual de Atividade dos Centros de Recolha Oficial (CRO) 2025, publicado pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), foram recolhidos cerca de 40 mil animais, dos quais mais de 22 mil encontraram uma nova família.

Isto representa aproximadamente 60 adoções por dia em Portugal.

A evolução também se verifica no número de animais sujeitos a eutanásia. Em 2025 foram registados 1814 casos, o valor mais baixo dos últimos cinco anos.

Na prevenção, foram realizadas mais de 43 mil esterilizações, número superior ao total de animais recolhidos nesse período. Este dado evidencia uma aposta crescente no controlo populacional como instrumento de prevenção do abandono.

Os desafios permanecem significativos, sobretudo nas regiões onde os centros enfrentam limitações de espaço, recursos e infraestruturas, ainda assim, cada adoção representa uma nova oportunidade.

Cada esterilização contribui para prevenir futuras situações de abandono e, portanto, todas as decisões desde que responsáveis acrescentam uma peça à construção de uma sociedade mais consciente do valor da vida animal.

 

Como prevenir o abandono animal?

O abandono animal envolve diferentes dimensões e, por isso, exige uma responsabilidade partilhada.

Os dados do Censo Nacional de Animais Errantes 2023 mostram que a sociedade portuguesa atribui um papel importante às Câmaras Municipais, aos veterinários ao serviço do Estado e ao Governo na gestão dos animais errantes.

Ao mesmo tempo, existe um forte apoio a medidas preventivas, como o reforço das sanções para o abandono, campanhas de sensibilização para a detenção responsável e educação sobre bem-estar animal nas escolas.

Nas estratégias de controlo das populações errantes, as preferências variam consoante a espécie. Para os cães, destaca-se a recolha para abrigo. Para os gatos, surgem os programas de Captura, Esterilização e Devolução (CED). O controlo da reprodução dos animais com detentor também surge entre as medidas mais valorizadas.

 

Porque muitas pessoas hesitam em pedir ajuda

Existe ainda uma dimensão muito importante, relacionada com o que deve ser feito quando é encontrado um animal errante.

Muitas pessoas acabam por não contactar as entidades responsáveis.

Entre as principais razões surgem o receio de que o animal seja abatido, referido por cerca de 40 % dos inquiridos, o medo de que permaneça numa jaula durante toda a vida, apontado por cerca de 30 %, e a falta de informação sobre quem contactar, indicada por aproximadamente 25 %.

Estes dados mostram a importância de reforçar a informação e a confiança nos mecanismos de proteção existentes.

Portanto, saber quem contactar representa uma diferença significativa.

 

O que fazer se encontrares um animal sozinho ou aparentemente abandonado?

Encontrar um cão ou um gato sozinho na rua pode levantar muitas dúvidas.

  • Estará perdido?

  • Terá sido abandonado?

  • Precisa de cuidados imediatos?

Antes de assumires que se trata de um caso de Abandono Animal, procura avaliar a situação e recorrer aos meios disponíveis.

 

ERRANTES.pt

A plataforma ERRANTES.pt, desenvolvida pela Universidade de Aveiro em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas ICNF, permite aos cidadãos contribuir para o conhecimento e a gestão das populações de animais errantes em Portugal.

Através da aplicação, podes registar avistamentos, adicionar fotografias, indicar a localização geográfica e fornecer outras informações relevantes para a identificação e acompanhamento dos casos.

 

Linha SOS Ambiente e Território

Perante uma situação suspeita de abandono ou maus-tratos, podes contactar a Linha SOS Ambiente e Território: 808 200 520.

 

SEPNA e GNR

O Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), integrado na Guarda Nacional Republicana, desenvolve ações de fiscalização e investigação relacionadas com crimes de abandono e maus-tratos a animais de companhia.

As denúncias podem ser realizadas através da Linha SOS Ambiente e Território, do portal institucional da GNR ou dos canais disponibilizados pelo SEPNA.

 

Centros de Recolha Oficial

Os Centros de Recolha Oficial (CRO) desempenham um papel fundamental no acolhimento, acompanhamento e encaminhamento de animais para adoção.

Cada situação deve ser avaliada de acordo com as circunstâncias concretas, tendo em conta o estado do animal e o nível de risco em que se encontra.

Por vezes, ajudar basta que seja através de um telefonema, para comunicar um avistamento ou encaminhar uma informação para a entidade adequada.

 

O Abandono Animal é crime em Portugal

Ao longo deste artigo de blog encontraste números, histórias e diferentes dimensões de um problema que continua a desafiar a sociedade portuguesa.

No centro de tudo, deves lembrar-te de que adotar um animal é assumir um compromisso para toda a vida.

O abandono e os maus-tratos a animais de companhia constituem crimes previstos na legislação portuguesa.

Nas últimas décadas, Portugal reforçou progressivamente a proteção jurídica dos animais.

Um dos momentos importantes desta evolução aconteceu com a Lei n.º 8/2017, que reconheceu os animais como seres vivos dotados de sensibilidade, introduzindo uma mudança relevante no enquadramento jurídico previsto no Código Civil.

A legislação portuguesa também reforçou a criminalização dos maus-tratos e do abandono através das Leis n.º 69/2014, 110/2015 e 39/2020, consolidando o dever de proteção e cuidado dos animais de companhia.

Esta evolução jurídica acompanha uma sociedade cada vez mais atenta às situações de risco.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), as denúncias relacionadas com animais de companhia através da Linha SOS Ambiente e Território passaram de 4159 em 2022 para 4262 em 2023, 4397 em 2024 e 5256 em 2025.

O aumento das denúncias reflete diferentes fatores, incluindo uma maior sensibilização da população e uma crescente disponibilidade para comunicar situações que colocam em causa o bem-estar animal.

Cada denúncia permite às autoridades avaliar uma situação e, quando necessário, intervir.

Basta um telefonema.

 

Um animal de companhia na tua vida

Por isso, quando decides trazer um animal para a tua vida, assumes o compromisso de cuidar dele durante diferentes fases. Nos períodos tranquilos e nos períodos exigentes, durante as férias e no regresso a casa, quando é jovem e saudável e também quando envelhece e precisa de cuidados acrescidos.

As viagens e períodos de ausência também exigem cuidados bem-adaptados. Hotéis para animais, serviços de pet sitting ou o apoio de familiares e amigos ajudam a garantir continuidade nos cuidados.

A prevenção está na capacidade de antecipar necessidades e arranjar alternativas.

 

Adotar é assumir um compromisso para a vida

É fácil apaixonares-te por um cão ou por um gato. Um olhar ternurento, uma cauda a abanar ou uma fotografia nas redes sociais despertam vontade imediata de acolher um animal.

Esse sentimento representa o início de uma relação extraordinária.

Ao mesmo tempo, tens de perceber que a adoção exige que a decisão seja consciente.

Um animal precisa de tempo, atenção, cuidados veterinários, estabilidade, disponibilidade emocional e recursos financeiros. Precisa de uma família capaz de integrar as suas necessidades quando chegam as férias, quando há uma mudança de casa, quando surgem alterações profissionais ou quando aparecem dificuldades económicas.

Uma adoção responsável é também uma das formas de prevenir situações futuras de Abandono Animal.

Por isso, antes de abrires a porta de casa a um animal de companhia, deves olhar para a tua realidade.

  • Como é a tua rotina?

  • Tens tempo disponível?

  • Quem te pode ajudar numa situação inesperada?

  • Como imaginas a tua vida daqui a cinco, dez ou quinze anos?

Estas perguntas ajudam-te a pensar com consciência, para que a adoção seja feliz para toda a família.

Se estás a pensar adotar, no final deste artigo encontrarás uma secção de Perguntas Frequentes, com algumas das questões que vale a pena considerar antes de tomar essa decisão.

 

A responsabilidade começa em ti

O abandono animal é um desafio que diz respeito a toda a sociedade portuguesa.

Se tens um animal de companhia ele é parte da tua vida. Está presente nas férias, nas mudanças de casa, nas alterações profissionais e nos diferentes momentos da tua vida familiar.

Essa relação tem muita responsabilidade.

Obriga a cuidados, proteção, atenção e acompanhamento ao longo de toda a vida.

Prevenir o abandono obriga a que tomes decisões reais:

  • Adotar de forma consciente e responsável.

  • Esterilizar para contribuir para o controlo da reprodução e evitar ninhadas indesejadas.

  • Identificar, facilitando a sua recuperação caso se perca.

  • Apoiar famílias e animais que enfrentam dificuldades.

Por isso, antes de escolheres um animal de companhia, pergunta-te:

Estou disponível para fazer parte da vida dele?

 

Bibliografia:

 

Um agradecimento especial

Obrigada, Sebastião, por partilhares a história da Amélia e da Júlia.

Obrigada Rui, Karola e Sebastião pela cedência das fotografias.

 

Queres contar a tua história?

Se tens uma história única com o teu animal de estimação, convido-te a partilhá-la comigo. Envia-me uma mensagem.

 

Perguntas frequentes sobre abandono animal

 
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