Madrid: O cão-guia que devolveu a liberdade à Liliana e ao Pedro
É fácil olhar para um cão e pensar que a sua função é fazer-te companhia. É fácil olhar para um cão-guia e pensar apenas no animal que acompanha uma pessoa cega. Mas, para muitas pessoas, ele representa liberdade, segurança e autonomia.
Está ao teu lado.
Recebe-te quando chegas a casa.
Partilha a tua rotina.
Faz parte da família.
É só um cão? Não!
Um cão pode ser companhia para muitos, mas para muitas pessoas é sinal de vida.
Se tens um cão em casa, sabes que:
É ele que te dá motivação para enfrentar o dia.
É ele que te devolve a confiança nos dias mais pesados.
É ele que te ajuda a recuperar a autoestima.
É ele que te mostra que o amor não precisa de palavras.
É ele que te faz sorrir.
É ele que te lembra que a vida continua.
Um cão-guia ajuda pessoas com deficiência visual a deslocarem-se com maior segurança e autonomia. Além de orientar percursos, identifica obstáculos, protege o utilizador em situações de risco e melhora significativamente a qualidade de vida.
Quando a vida mudou
A vida da Liliana foi marcada por desafios que surgiram muito antes da chegada do Madrid.
A vida já lhe tinha colocado desafios que exigiram uma enorme capacidade de adaptação.
Ao longo dos anos, enfrentou a doença do pai, viveu despedidas difíceis, superou problemas de saúde e aprendeu a reconstruir a sua vida depois de perder a visão.
Cada uma destas experiências deixou marcas, mas nunca lhe roubou a vontade de continuar.
Mesmo nos dias mais difíceis, recusou-se desistir.
Foi durante esse percurso que encontrou pessoas que se tornaram fundamentais na sua vida.
Uma delas foi o Pedro.
Um encontro que parecia improvável
"No verão de 2015, depois de me sentir finalmente em pleno com o meu duplo transplante (reno-pancreático), decidi apostar a sério na minha autonomia. Inscrevi-me num centro de reabilitação para pessoas que perderam a visão ou nasceram cegas, para aprender a ser mais independente. Foi lá que comecei a usar bengala pela primeira vez. Aprendi a deslocar-me de forma diferente, tive aulas de informática com leitores de ecrã que nunca tinha usado, aprendi Braille… e desenvolvi competências que mudaram completamente a minha forma de estar na vida. Durante essa formação, ouvi várias vezes os técnicos dizerem-me que eu fazia lembrar muito um rapaz que tinha passado por lá antes de mim. Diziam que tínhamos a mesma forma de estar, a mesma energia, a mesma vontade de viver. E insistiam: ‘Vocês têm de se conhecer.’"
Liliana ria-se.
"Na altura, dizia que me tinha divorciado há um ano e meio e que não queria saber de relações. Tinha muito em que focar-me. Mas lembro-me perfeitamente de estar na piscina, a ajudar uma colega, quando uma técnica olhou para mim e, quase em segredo, disse: ‘Tu tens mesmo de conhecer aquele rapaz.’"
Esse rapaz era o Pedro.
Também ele é cego e transplantado.
Sem que a Liliana percebesse como, o encontro estava a ser preparado.
"Um dia, disseram-me que tinham bilhetes disponíveis para um evento do INR, um jogo do Benfica no Estádio da Luz, e que um ex-utente ia estar presente. Brincaram comigo: se nos déssemos bem, eu ficava a dever um gelado."
O que parecia ser um jogo de futebol acabou por mudar duas vidas.
"Um técnico pediu-me autorização para dar o meu contacto ao Pedro, caso ele precisasse de ajuda para chegar ao estádio. Eu disse que sim, mas poucos minutos depois, deram-me o número dele e pediram-me para ser eu a enviar mensagem. Apresentei-me e disponibilizei-me para o ajudar no que fosse preciso."
O primeiro contacto estava feito.
"Conhecemo-nos no dia do jogo, junto à estátua do Eusébio. O nosso clube ganhou, mas tenho a certeza de que nós ganhámos muito mais. Foi um encontro inexplicável. Tínhamos muito para contar um ao outro, mas ao mesmo tempo parecia que já nos conhecíamos há uma vida inteira."
A partir daí, tudo ganhou ritmo.
"Os telemóveis nunca mais pararam. Passávamos horas a falar. No dia 8 de janeiro de 2016, no dia de aniversário do meu pai, ele pediu-me em namoro."
Em poucos dias, tornou-se evidente que aquele encontro iria além da vida da Liliana e do Pedro.
"Fui a Castelo Branco conhecer a família dele. Depois apresentei-o à minha. E o meu pai, a pessoa mais importante da minha vida, adorou-o."
A forma como fala do Pedro não deixa margem para dúvidas:
"É um homem íntegro, inteligente, divertido e faz-me sentir coisas que nem sei explicar. É maravilhoso."
Quando a vida lhe apresentou mais um desafio, a Liliana deixou de ter dúvidas. Aquele encontro tinha mudado a sua vida.
"Em novembro de 2016, ele esteve connosco em Lisboa, mas voltou a Castelo Branco por causa do aniversário do irmão e de um compromisso de equitação. Nessa madrugada, tive de levar o meu pai ao hospital pela última vez."
E o Pedro voltou.
"Voltou para Lisboa para estar comigo. E disse ao meu pai que nunca mais me deixaria sozinha."
Cumpriu.
"E não deixou. Desde então, nunca mais nos separámos."
O “cão-guia”
"Quando a pessoa que escolhi para viver a vida, o Pedro, me disse que estava inscrito para receber um cão-guia, senti que estava a entrar num mundo completamente desconhecido."
Com muitas dúvidas, perguntei logo: “Vamos ter de o devolver um dia?”
“Não. Ele pode ficar connosco para sempre, desde que bem tratado”, respondeu o Pedro.
A partir desse momento, a Liliana percebeu que estava prestes a receber um novo membro da família.
"A inscrição para ter um cão guia, foi o primeiro passo. Depois veio a espera. Uma espera longa, porque há muitas pessoas a precisar e apenas uma escola em Portugal a formar cães-guia."
Essa escola é a ABAADV – Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual, em Mortágua.
Ali, o processo é rigoroso.
Antes da entrega do cão, existem entrevistas, avaliações e um período de formação conjunto, para que a futura dupla aprenda a trabalhar em sintonia.
A chegada do Madrid
A chegada do Madrid ficou marcada para sempre na memória da Liliana.
"Conhecer o Madrid foi uma emoção muito forte. Eu estava ansiosa, feliz e completamente rendida."
Oficialmente, o Madrid chegava para acompanhar o Pedro.
Mas, desde o primeiro momento, ficou claro que aquele encontro também transformaria a vida da Liliana.
"Sentimos uma ligação imediata. Durante a nossa formação, uma expressão do treinador ficou gravada na minha cabeça: “O cão está a guardar espaço para vocês os dois.” Na altura, parecia uma observação para nos animar, mas hoje percebo que fez todo o sentido."
Foi uma semana intensa de formação e treino na escola.
Depois, já em casa, aplicaram tudo o que tinham aprendido.
"Passámos uma semana na escola, em formação. Depois, outra já na nossa zona, a aplicar tudo na vida real, nas ruas, nos trajetos, nas rotinas."
A adaptação foi acontecendo de forma natural.
Cada passeio fortalecia a confiança.
Cada percurso criava uma ligação mais forte entre os três.
A partir daí, passaram a ter uma nova rotina.
O Madrid tornou-se um apoio essencial para o Pedro.
E, ao mesmo tempo, conquistou um lugar muito especial com a Liliana.
"Ele tornou-se um dos nossos olhos na rua, como um companheiro incrível, dócil, atento e cheio de vida. O Madrid não veio só ajudar. Veio fazer parte."
Fotografia cedida gentilmente por Liliana Costa.
Uma nova forma de viver
Antes da chegada do Madrid, cada saída de casa exigia uma atenção constante.
"Antes do Madrid, usávamos bengalas."
Cada percurso era feito com mais cuidado.
Cada obstáculo obrigava a parar, avaliar e decidir o passo seguinte.
"Havia mais pausas. Mais hesitação. Mais atenção."
A chegada do Madrid transformou essa rotina.
"Com o Madrid, tudo flui de outra forma."
O Madrid encontra as passadeiras, desvia-se dos obstáculos, alerta para os degraus.
Ajuda o Pedro e a Liliana a deslocarem-se com maior segurança.
Para quem não tem limitações, são gestos discretos e insignificantes, mas fazem a diferença para quem depende deles todos os dias.
"Saímos de casa de manhã e já não é preciso pensar em cada passo."
Para a Liliana, esta mudança tem um nome: “Autonomia.”
O impacto do cão-guia não é limitado à mobilidade.
Também mudou a forma de viver cada saída de casa.
"A principal diferença foi deixarmos de usar bengalas. O Madrid leva-nos às passadeiras, desvia-nos dos obstáculos, indica degraus e mantém-nos seguros."
A confiança cresceu.
O Madrid abriu caminho na rua e ajudou à aproximação de outras pessoas.
Passou a ser um motivo para conversar, sorrir e criar ligações que dificilmente aconteceriam de outra forma.
"As pessoas aproximam-se mais de nós. Falam connosco. Um cão bem-educado cria pontes que antes não existiam."
Fotografia cedida gentilmente por Liliana Costa.
Em casa, é o Madrid
O Madrid trouxe autonomia e uma nova forma de viver a relação com as pessoas.
"Toda a gente quer saber. Pergunta. Aproxima-se."
A curiosidade abre espaço para a conversa, mas ao mesmo tempo, há uma regra que tem de ser referida.
Quando o Madrid está com o arnês colocado, está a trabalhar.
Nessa altura, precisa de manter toda a atenção nas pessoas que guia.
Por isso, não deve ser distraído.
"Parece antipatia, mas pode colocar-nos em risco."
Respeitar esta regra é uma forma de proteger o trabalho que o Madrid realiza diariamente.
Quando o momento é de regresso a casa, o arnês sai.
O Madrid volta a ser o companheiro Madrid.
"Em casa, ele é só o Madrid. É um cão muito ativo, adora brincar, estar connosco."
Corre. Brinca. Procura mimos.
Gosta de estar perto de quem ama.
Durante o dia, guia a Liliana e o Pedro com segurança.
Em casa, vive como qualquer outro cão.
Partilha a rotina, os momentos em família.
Enche a casa de vida.
"O Madrid é um cão-guia excecional. Faz um trabalho incrível, mas também é o nosso melhor companheiro. O amor que sentimos por ele e o que sentimos vindo dele é impossível de pôr em palavras."
A história do Madrid, da Liliana e do Pedro não terminou com o treino e a formação.
Começou aí mesmo.
"A nossa vida continuou. E continua todos os dias."
Como acontece com qualquer família, além dos desafios diários, os momentos mais simples dão sentido aos dias.
"Temos rotinas aborrecidas, desafios para superar, decisões difíceis, mas também temos muitas coisas boas."
Basta imaginar uma manhã em casa.
"O pequeno-almoço a ser preparado, a medicação organizada, o Madrid ali a brincar e à espera do passeio. Para quem observa de fora, pode parecer uma manhã igual a tantas outras, mas para nós é uma vida com confiança e autonomia."
Como nasce um cão-guia
Antes de acompanhar uma pessoa com deficiência visual, um cão-guia percorre um longo caminho de preparação.
Começa ainda antes do nascimento.
A seleção dos progenitores é feita com rigor, tendo em conta o comportamento e o estado de saúde do animal.
Na ABAADV, os cães reprodutores são submetidos a exames clínicos, incluindo o despiste de displasia da anca e do cotovelo.
A associação conta ainda com o apoio de escolas internacionais, criadores e particulares.
Aos três meses de idade, os cachorros são entregues a famílias de acolhimento.
É neste ambiente que começam a aprender as primeiras regras de convivência, socialização e adaptação aos diferentes contextos do dia a dia, sempre acompanhados pelos educadores da escola.
Por volta dos seis meses, passam a alternar entre a família de acolhimento e períodos de treino na escola.
Quando completam cerca de um ano, iniciam a preparação específica para se tornarem cães-guia.
Aprender a guiar com segurança
A formação de um cão-guia exige tempo.
Nesta fase, aprende a trabalhar com o arnês, pois é através dele que transmite os seus movimentos e ajuda os donos a deslocar-se com segurança.
Segundo a Escola de Cães-Guia para Cegos, a aprendizagem desenvolve-se em três etapas:
Introdução: ensinamento das tarefas básicas;
Desenvolvimento: aumento gradualmente da autonomia;
Consolidação: fortalecimento das capacidades.
Todo o processo assenta no reforço positivo.
Um cão confiante e motivado aprende melhor e desempenha o seu trabalho com maior eficácia.
Quando termina a formação, está preparado para orientar a pessoa em diferentes situações do dia a dia.
Segue em frente, responde às indicações do dono, identifica passadeiras, escadas, portas e outros pontos de referência, contorna obstáculos e ajuda a realizar percursos com maior autonomia.
Importa, no entanto, esclarecer um aspeto importante: o cão-guia não decide o caminho por iniciativa própria.
Trabalha sempre de acordo com as orientações do dono, exceto quando identifica uma situação de perigo.
Nesses casos, pode recorrer à chamada desobediência inteligente, recusando uma ordem para proteger a segurança da pessoa que acompanha.
O cão-guia e a lei
Em Portugal, as pessoas com deficiência visual acompanhadas por um cão-guia têm o direito de entrar em transportes, estabelecimentos e espaços públicos.
Este direito está protegido pelo Decreto-Lei n.º 74/2007, que reconhece o papel dos cães-guia e dos restantes cães de assistência como um apoio essencial à mobilidade, à autonomia e à inclusão das pessoas que deles dependem.
Quanto custa mudar uma vida?
Receber um cão-guia não tem qualquer custo para o dono.
Ao longo de todo o processo, a escola acompanha o treino e formação da dupla e continua presente sempre que é necessário.
Também as famílias de acolhimento não suportam despesas, uma vez que a alimentação, os cuidados veterinários e o acompanhamento são assegurados pela própria escola.
O que muitas pessoas desconhecem é o investimento necessário para formar um único cão-guia.
Segundo a Escola de Cães-Guia para Cegos, este processo representa um custo aproximado de 18.500 euros, valor que inclui a criação, a alimentação, os cuidados veterinários, o treino e a formação técnica, as instalações e o trabalho dos profissionais envolvidos.
Mesmo assim, este número não revela toda a história.
Ficam de fora as horas dedicadas pelas famílias de acolhimento, pelos voluntários e por todos aqueles que acompanham o cão desde os primeiros meses de vida até ao momento em que começa a guiar quem mais precisa.
É um investimento que se mede em recursos, mas também em tempo e compromisso.
O Madrid muda vidas
Ao longo deste artigo conheceste a história do Madrid.
Uma história que mostra o impacto que um cão-guia tem na vida de quem vive com deficiência visual.
O Madrid levou autonomia, segurança e muita confiança aos seus donos.
Tornou os percursos mais simples, abrindo novas possibilidades e ajudou a transformar a rotina da Liliana e do Pedro.
Histórias como esta só são possíveis graças ao trabalho desenvolvido pelas escolas de cães-guia, pelas famílias de acolhimento, pelos treinadores, pelos voluntários e por todas as pessoas que contribuem para o treino destes animais.
O cão-guia representa uma oportunidade para alguém recuperar autonomia e viver o dia a dia com maior liberdade.
O significado de um cão-guia
Depois de conheceres o Madrid, acredito que seja impossível vê-lo como um cão comum.
Ele guia os donos em segurança, acompanha a Liliana e o Pedro no dia a dia e faz parte da família que construíram juntos.
A presença do Madrid tornou-se parte das pequenas rotinas.
A história da Liliana e do Pedro não é uma história perfeita.
É de adaptação, de decisões difíceis e da força para continuar.
O Madrid faz parte desse caminho.
Não resolve todos os desafios.
Mas ajuda a tornar muitos deles mais leves.
E lembra-nos de que por vezes, uma mudança começa com um encontro.
Neste caso, com um cão chamado Madrid.
Fotografia cedida gentilmente por Liliana Costa.
Bibliografia
ABAADV. (s.d.). A Escola - O Cão-guia. ABAADV.
Decreto-Lei n.º 74/2007 do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. (2007). Diário da República n.º 61/2007, Série I de 2007-03-27.
Pelo Rim. (s.d.). Em tempos de pandemia, viaja-se nos braços do amor. Pelo Rim.
Um agradecimento especial
Obrigada, Liliana Costa, por partilhares a tua história de forma tão aberta e generosa. O teu relato inspira outras pessoas a acreditarem que é possível dar pequenos passos, experimentar novas formas de viver e reconstruir a autonomia, mesmo quando o caminho parece incerto.
Queres contar a tua história?
Se tens uma história única com o teu animal de estimação, convido-te a partilhá-la comigo. Envia-me uma mensagem.
FAQ – Esclarece as tuas questões
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Podem candidatar-se a um cão-guia pessoas:
Invisuais ou com deficiência visual que limite a sua mobilidade de forma independente e segura.
Com idade compreendida entre 18 e 65 anos.
Com condições físicas e de saúde para cuidar do cão e estar disponível para trabalhar com ele diariamente.
Que pretendam servir-se do cão-guia como apoio à mobilidade e orientação.
Tenha uma vida ativa e socialmente integrada.
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O treino eficaz de um cão-guia vai de 1 a 2 anos.
Dos 3 aos 12 meses, o cachorro vive com uma família de acolhimento. Aprende regras de comportamento e desenvolve competências de socialização, com acompanhamento da Escola de treino e formação. Após 1 ano de idade e aprovação em exames médicos, é iniciado o treino específico na Escola. Nesta fase, aprende a trabalhar com arnês, a evitar obstáculos, a sinalizar passadeiras, garantindo a segurança da pessoa que irá acompanhar. No final do treino, o cão está apto para desempenhar as funções de guia.
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Nem todos os cães podem ser cães-guia. Estes cães, são avaliados desde pequenos, quanto ao temperamento, comportamento, capacidade de aprendizagem e estado de saúde.
Apenas os cães que demonstram as características necessárias seguem para uma formação especializada, onde aprendem a orientar e a apoiar pessoas com deficiência visual.
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As raças mais utilizadas como cães-guia são o Labrador Retriever, o Golden Retriever, o Pastor Alemão e os cruzamentos entreLabrador e Golden Retriever.
Estes cães distinguem-se pelo seu carácter equilibrado, capacidade de aprendizagem, estabilidade emocional e facilidade de adaptação a diferentes ambientes.
Em Portugal, a ABAADV utiliza principalmente o Labrador Retriever e o cruzamento entre Labrador e Golden Retriever, devido às características físicas e comportamentais adequadas à função de cão-guia.
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Sim. Em Portugal, os cães-guia têm direito de acesso a locais, transportes e estabelecimentos de utilização pública, nos termos da legislação em vigor (Decreto-Lei n.º 74/2007, de 27 de março). Para exercer este direito, o cão deve estar acompanhado pelo utilizador, educador ou família de acolhimento e encontrar-se devidamente identificado como cão de assistência.
Só assim é permitido o acesso a espaços como lojas, restaurantes, hotéis e transportes públicos.
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Sim, mas existem requisitos.
Quando o cão-guia está a trabalhar e usa o arnês, não deve ser distraído. Evita tocar-lhe, chamá-lo ou tentar interagir com ele, para não comprometer a segurança do utilizador.
Quando está sem o arnês e em momento de descanso, podes interagir com o cão, mas deves sempre pedir autorização ao utilizador antes de o fazer.
Deves ter em atenção a duas regras importantes:
Não dês comida a um cão-guia.
Não toques no arnês, pois este faz parte da comunicação entre o cão e o utilizador.
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Sim. Antes de te aproximares, pede sempre autorização ao utilizador. Se este der permissão, mantém sempre o teu cão preso pela trela e sob controlo. Os cães-guia estão concentrados no trabalho com o seu utilizador. Uma interação inesperada pode distrai-los e comprometer a segurança do utilizador.
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Não. O utilizador define o percurso, a direção a seguir e o momento de atravessar a estrada.
O cão-guia executa os comandos recebidos, orienta a marcha e ajuda a evitar obstáculos, mas não escolhe o destino nem toma as decisões do trajeto.
Existe, no entanto, uma exceção chamada desobediência inteligente. Se o cão identificar um perigo, pode recusar uma ordem do utilizador para evitar uma situação de risco e garantir a sua segurança.
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O arnês é o principal instrumento de trabalho do cão-guia e o meio de comunicação entre o cão e o utilizador. Através dele, o utilizador recebe informações sobre os movimentos, mudanças de direção, paragens e obstáculos encontrados ao longo do percurso. Quando usa o arnês, o cão-guia está em modo de trabalho e desempenha as seguintes funções:
Manter uma marcha segura.
Contornar obstáculos.
Identificar passadeiras.
Localizar pontos de referência, como portas, escadas ou lugares sentados.
Seguir os comandos de direção dados pelo utilizador.
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Sim. Quando está em casa e sem o arnês, o cão-guia está em descanso e comporta-se como qualquer outro cão. Nesses momentos, pode brincar, receber atenção, passear, descansar e conviver com a família. Esta rotina é importante para o seu bem-estar físico e emocional.
Apesar do trabalho que desempenha, o cão-guia continua a ter as mesmas necessidades de lazer, afeto e socialização que qualquer outro cão.
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Na reforma, o objetivo é garantir que o cão continua a viver num ambiente seguro, confortável e adequado às suas necessidades.
Nesta fase, o seu bem-estar continua a ser uma prioridade. O cão pode:
Permanecer com o utilizador como animal de companhia.
Regressar à família de acolhimento que o acompanhou em jovem.
Ser adotado por uma nova família selecionada pela Escola de treino.
Integrar programas de intervenções assistidas, se mantiver as características adequadas para essa função.
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O cão-guia é entregue gratuitamente à pessoa utilizadora. No entanto, a criação, educação e formação de um cão-guia representam um investimento de cerca de 18 500 euros. Este valor inclui despesas com a Escola, alimentação, cuidados de saúde, equipamento e acompanhamento técnico. Este montante não reflete totalmente o custo real, uma vez que não contabiliza o contributo voluntário das famílias de acolhimento e de outros colaboradores que participam no processo.
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Existem várias formas de apoiar o trabalho de uma escola de cães-guia:
Tornar-se sócio da associação.
Fazer um donativo.
Consignar 1% do IRS à associação.
Apadrinhar um cão-guia em formação.
Estabelecer parcerias ou patrocínios, através de empresas ou organizações.
Todos os contributos ajudam a garantir a formação de novos cães-guia e a promover a autonomia das pessoas com deficiência visual.
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Sim. A Escola de Cães-Guia para Cegos da ABAADV é a única entidade em Portugal dedicada à formação e entrega de duplas constituídas por cão-guia e pessoa com deficiência visual. A sua atividade inclui a criação, educação, formação e acompanhamento dos cães-guia e dos respetivos utilizadores.