«Era só um gato?» O que a Ana e o Romeu nos ensinam sobre o Luto Animal

‍«Era só um animal.» Já ouviste esta frase? Se calhar até já a disseste, sem maldade, a alguém que chorava por um cão ou por um gato. Antes de a repetires, deixa-me apresentar-te o Romeu: velho, doente, assustado e sem ninguém que o quisesse.

É a história de uma amizade, de uma despedida e da saudade que ficou. Pelo caminho, falamos do luto por um animal de estimação: por que dói tanto, por que razão se vive tantas vezes às escondidas e como podes ajudar quem está a passar por ele.

No fim, tenho a certeza de que chegarás à tua resposta.

 

Quinze gatos, dois cães e uma tampa de gelado

A Ana Fonseca tem 65 anos. Tirou o curso de Filosofia e começou a sua vida profissional no jornalismo. Mais tarde, formou-se em yoga e Chi Kung, e esse caminho levou-a à terapia holística. Hoje, é a fundadora da Associação Pétalas Cósmicas.

Partilha a vida com 15 gatos e dois cães, que lhe enchem a casa, «e de que maneira!», diz, a rir.

"Calhou eu ser humana e eles gatos e cães. Adaptamo-nos uns aos outros."
— Ana Fonseca

Cuida também de animais de rua, como uma gatinha que lhe aparece à porta para comer. E o respeito que tem pela vida vai muito além de cães e gatos.

"Há pouco tempo, vi formigas a caírem na água dos gatos e a afogarem-se, por isso coloquei uma tampa de plástico dos gelados com um bocadinho de água fora para elas poderem beber sem cair. Tudo na natureza é divino, desde a formiga até ao cão ou ao elefante ou ao ser humano (alguns) (risos)."
— Ana Fonseca

Esta ligação não surgiu recentemente.

"Cresci numa casa onde os animais sempre fizeram parte da família."
— Ana Fonseca

Os avós davam as sobras aos gatos do bairro e chamavam a isso «a sopa dos pobres».

Ainda hoje guarda uma fotografia de infância com os seus dois amigos de então: o Tintin, um gato riscado, e o Leão, um cão felpudo.

Alguns animais marcaram-na mais do que outros.

"Há uns que se destacam porque, provavelmente, já nos encontrámos noutras vidas, em que não tivemos necessariamente de ser, eu, a humana e, eles, os animais. Há um reconhecimento imediato de almas, tal como acontece com as pessoas."
— Ana Fonseca

E quem escolhe quem? Somos nós que escolhemos os animais, ou são eles que nos escolhem a nós?

"Acho que é mútuo. A maioria dos meus animais simplesmente apareceu à minha porta. A Romã foi a única que procurei, através de fotografias. Mas em todos houve um cruzar de olhares. Há um baque."
— Ana Fonseca

E, de tanto conviverem, já apanham manias uns dos outros.

"Às vezes digo “nossa pata” nas minhas aulas. Também mio e ladro. (risos)"
— Ana Fonseca

E há mais:

"Uma vez, num restaurante, apanhei uma mosca no ar com a mão. Instinto de caça dos gatos."
— Ana Fonseca

Mas a história que te quero contar é a de um gato que ninguém queria.

 

Romeu, à espera de uma Ana

O Romeu vivia numa clínica veterinária, à espera de alguém que o levasse.

Não se sabia ao certo a idade dele, mas teria mais de dez anos. Tinha o sistema digestivo fragilizado por anos de má alimentação.

E trazia uma história. Tinha vivido com um casal e uma filha. Quando a mulher engravidou, o marido pô-lo na rua. Foi encontrado com as orelhas ensanguentadas, abrigado dentro de um pneu de camião.

Tinha tudo para ficar esquecido: era velho, estava doente e tinha medo de tudo.

Houve um polícia que ainda pensou levá-lo para casa. Mas o Romeu assustou-se tanto que se urinou todo. E a adoção ficou por ali.

Até que a Helena, uma amiga da Ana que cuida de colónias de gatos, lhe falou dele. Foi por altura do 25 de abril. A Ana estava em casa, a tratar das ervas, ouviu a história toda e só disse: «Traz!»

 

O gato que fazia massagens

Entre os dois, foi amor à primeira vista.

No início, o Romeu ia todos os dias com a Ana para a associação, onde ela dá aulas, para não ficar sozinho. Só havia um problema: vomitava sempre pelo caminho.

Solução? O Romeu passou a viver na associação. E, para lhe fazer companhia, chegou a Romã, uma gata que a Ana viu numa fotografia no Facebook e por quem se apaixonou logo.

Foi ali que aquele gato assustado começou a transformar-se.

O Romeu participava em tudo: Reiki, yoga, xamanismo. Nem os tambores o assustavam.

No fim de cada aula, escolhia uma pessoa. Sim, era ele que escolhia.

Aproximava-se e fazia aquilo a que todos chamavam massagens. Às vezes, deitava-se ao colo. Outras vezes, pousava as patas em cima da pessoa, como se a estivesse a tratar.

Com quem tinha medo de gatos, ia devagarinho, observava, virava a cabeça e, aos poucos, acabava por conquistar a pessoa.

Passava muito tempo na montra da associação. As crianças da escola adoravam-no. Até os cães que passavam na rua paravam para o ver.

"Era um ser que marcava quem o conhecia."
— Ana Fonseca

Chegou a ser pago pelo trabalho: as pessoas agradeciam as massagens com latinhas de comida húmida. Ele adorava. A barriga dele, nem por isso.

Não era só um gato: tinha uma função, um público e uma agenda.

Durante a pandemia, algumas pessoas começaram a torcer o nariz à presença de dois gatos naquele espaço. Por isso, o Romeu e a Romã mudaram-se para casa da Ana. E por lá ficaram. 

Ao todo, foram seis ou sete anos juntos.

 

O gato que tinha uma Ana

Quando se fala de memórias do Romeu, a Ana hesita. Escolher só uma? Difícil.

Lembra-se de uma palestra de astrologia na associação que terminou com uma meditação. O Romeu estava ao colo dela, olhou para ela e abriu os braços. Curiosamente, há uma fotografia desse momento.

Depois, surge mais uma memória, esta mais improvável:

"O Romeu comeu connosco à mesa, sentado na cadeira, no Natal e no Ano Novo, sem qualquer problema."
— Ana Fonseca

Personalidade não lhe faltava. E manias também não.

"Também passámos por momentos de tensão. Como eu lhe pertencia, não podia ter uma relação com outros gatos. Ele não aceitava."
— Ana Fonseca

Reparaste? Não era a Ana que tinha um gato: era o Romeu que tinha uma Ana.

Um dia, numa zaragata com o Xamã, um gato laranja da família, o Romeu atirou-se ao rival e acertou na mão da Ana. Ela foi parar ao hospital.

Nunca lho levou a mal. A dentada era para o Xamã. A mão dela é que estava no caminho.

É assim em qualquer relação importante: há memórias que fazem rir, outras que emocionam e algumas que deixam marcas de dentes. Ninguém guarda só a parte bonita. E é por isso que valem tanto.

 

Do quintal para o sofá: os animais mudaram de lugar, as palavras não

Durante séculos, os animais que viviam connosco tinham um trabalho: guardar a casa, puxar a carroça, caçar os ratos do celeiro. Eram estimados, mas o lugar deles era outro.

Ficavam no quintal, não no sofá. Comiam as sobras, não uma ração escolhida a dedo. E, quando morriam, arranjava-se outro.

Hoje, dormem na cama, têm veterinário, às vezes seguro de saúde, centenas de fotografias nos telemóveis dos seus tutores e, alguns, até mais seguidores nas redes sociais do que nós. Acompanham-te nas mudanças de casa, nas doenças, nas perdas e nas festas. Estão lá nos dias bons e nos maus.

A mudança chegou também à lei. Desde 2017, os animais são reconhecidos como seres vivos dotados de sensibilidade (Lei n.º 8/2017). Deixaram de ser coisas.

Os números confirmam-no. Segundo o Censo Nacional de Animais Errantes 2023, a companhia é a principal razão para ter um animal: é o que dizem 88% dos tutores de cães e 78% dos tutores de gatos.

Se quiseres saber mais sobre o lugar que os animais ocupam na nossa vida, lê o artigo «O Papel de um Animal de Estimação na Tua Vida».

Só as palavras que usamos a propósito deles ficaram para trás.

Por isso, quando alguém sofre muito com a morte de um animal, o problema não é sofrer «demasiado». É continuarmos a chamar «animal de estimação» a quem, para muita gente, já é família.

 

Pata com pata, até ao fim

Durante anos, a barriga do Romeu foi acompanhada pela Dra. Dinora Xavier, veterinária de abordagem holística. «A minha veterinária», como lhe chama a Ana.

Com esse cuidado, o Romeu esteve bem muito tempo. Mas os anos foram pesando, e a saúde dele começou a falhar.

A Ana continuava a dar aulas. Mas o corpo estava na sala e a cabeça, em casa.

"Eu não estava bem longe dele."
— Ana Fonseca

Isto tem um nome: luto antecipado.

A psicóloga Kelly Almeida explica:

«O luto já começa muito antes. A pessoa vive com o medo de perder o animal a qualquer momento, mas também alimenta a esperança de que ele melhore.»

Fazes a mesma pergunta vezes sem conta: «Estarei a fazer o que devo?» E, enquanto cuidas, uma parte de ti já se começa a despedir.

Olhando para trás, a Ana sabe o que a ajudou:

"Acho que o mais importante é termos a consciência de que fizemos tudo o que podíamos, proporcionando-lhe a melhor vida que soubemos dar (amor, carinho, comidinha boa, água, caminha) e o devido acompanhamento terapêutico. Isso traz conforto."
— Ana Fonseca

Nessa fase, esteve também ao lado dela a Anabela Filipa, terapeuta holística que ajuda as famílias a compreender os sinais, as emoções e as necessidades dos seus animais. Tem uma frase que diz muito:

"O ser humano necessita de um animal para se tornar mais humano."
— Anabela Filipa

E chegou a hora que ninguém quer viver.

"Quando chegou o momento em que percebi que ele se estava a ir embora, com a ajuda da Dinora e da Anabela, acompanhei-o até ao fim, pata com pata. A partida dele acabou por ser um período de libertação, porque senti que ele se estava a libertar de uma situação que já não era confortável para ele."
— Ana Fonseca

Para a Ana, é preciso estar lá até ao fim, seja a morte natural, seja uma eutanásia que poupe sofrimento. E explica porquê:

"É importante para nós, mas é sobretudo importante para eles, para que não partam sozinhos. Sinto-me muito melhor em estar com eles do que saber que morreram sozinhos numa clínica veterinária."
— Ana Fonseca

O Romeu morreu a 11 de janeiro de 2024.

 

Um adeus à sua maneira

A Ana nunca foi de rituais de morte. Prefere evitar os cemitérios e viver a espiritualidade de outra forma. Mas, com o Romeu, foi diferente.

"Eu estava perfeitamente incapaz de simplesmente entregá-lo para uma cremação comum, devido à nossa ligação tão profunda, secular ou milenar."
— Ana Fonseca

Preparou uma caixa com um paninho budista muito bonito, alecrim, incenso e velas.

Chorou. Falou com ele. Disse-lhe o que sentia.

No dia seguinte, fez a despedida final no terreno de uma amiga, na Lourinhã: um jardim zen onde repousam outros animais.

Às vezes, ainda lá vai. «Olá, Romeu. Tudo bem?», diz-lhe. E sabe perfeitamente que ele não está ali.

"Hoje, sei que o corpo físico que está ali é apenas matéria; o que interessa é a energia que sobrevive ao corpo."
— Ana Fonseca

Quando alguém importante morre, precisamos de marcar a passagem. Um gesto. Um lugar. Um momento para dizer adeus.

Com os animais, esse momento quase nunca existe. A especialista em luto animal Millie Jacobs escreve:

"Quem perde um animal normalmente não tem direito a esse ritual. Enterra as cinzas ou o corpo sozinho e em silêncio. Se tens família e amigos que te apoiam, pede-lhes que se juntem a ti numa pequena despedida, nem que seja no quintal."
— Millie Jacobs

A psicóloga Márcia Vieira, especialista em perdas e luto, lembra que aprendemos a evitar a morte. Falamos pouco dela e vemos a dor como fragilidade. Até os rituais que nos restam são cada vez mais rápidos e discretos.

E os rituais ajudam a integrar a perda. Quando não existem, há quem crie os seus.

Foi o que a Ana fez: um ritual só dela, para o Romeu.

 

O luto que se vive às escondidas

Há mortes que juntam família, amigos, cerimónias e palavras de conforto. E há perdas que acontecem em silêncio, como se fossem pequenas demais para doer tanto.

A morte de um animal costuma pertencer a este segundo grupo. E isso tem um nome: luto não reconhecido.

Um artigo publicado na revista Psicologia em Revista também lhe chama luto não autorizado: o sofrimento existe, mas os outros não o validam como validariam outras perdas.

O que falta é a permissão para a dizer em voz alta. E isso nota-se porque ninguém te dá baixa, nem um dia de licença para uma despedida que, aos olhos de todos, nunca aconteceu.

Falta a sala onde as pessoas entram, te dão um abraço e dizem o nome dele.

Sentes saudade e guardas para ti. Queres chorar e esperas que ninguém te veja. Alguém pergunta como estás e respondes que está tudo bem, porque explicar dá mais trabalho do que mentir.

E, de tanto calar, começas a duvidar de que tens direito a sofrer.

Mas pensa nisto: ninguém acha estranho chorar durante meses por uma pessoa com quem se convivia todos os dias.

A relação com o teu animal tinha exatamente a mesma matéria-prima: rotina, presença diária, confiança, linguagem própria e história partilhada.

A única diferença é a espécie. E uma relação constrói-se com tempo, cuidado e amor, seja com quem for, de duas ou de quatro patas.

E a investigação vai no mesmo sentido.

Em 2019, a psicóloga Márcia Vieira entrevistou pessoas que tinham perdido o seu animal e concluiu que criamos com os nossos animais laços muito semelhantes aos que criamos com as pessoas. Por isso, quando os perdemos, o luto é muito parecido com o luto por alguém querido.

E concluiu ainda que muitas pessoas sofrem a dobrar, pela perda e por sentirem que têm de a esconder. Choram longe dos outros. Guardam tudo cá dentro.

E acabam por viver o luto em silêncio.

Por isso, a autora insiste que é preciso validar a dor de quem perde um animal. Sem esse reconhecimento, a pessoa reprime o que sente, desvaloriza a perda e sofre mais, com impacto na saúde mental.

E, no entanto, o que tantas vezes se ouve é «era só um animal».

Se também já ouviste isto, ou «arranja outro», escrevi a pensar em ti o e-book gratuito «5 Coisas que te Disseram Sobre o Luto Animal, e que Podem Não Ser Verdade». Pode ajudar-te a perceber o que sentes e a viver a saudade sem culpa.

 

Como ajudar quem perdeu um animal de companhia

Quando um animal morre, quem está à volta nem sempre sabe o que dizer. Com medo de errar, muda de assunto, afasta-se ou finge que nada aconteceu.

E isso magoa mais do que qualquer frase desajeitada.

Cada dor tem a sua história. O que para ti seria pouco, para outra pessoa pode ser tudo. Por isso, não a meças nem a julgues.

Deixa que seja a pessoa a dizer-te porque dói. E quanto dói.

Para a Ana, estar presente vale mais do que acertar nas palavras. Mesmo quem dizia a coisa errada ajudava, só por aparecer.

Ninguém espera que resolvas nada. Trazer o animal de volta é impossível e toda a gente sabe isso. Só tens de estar lá.

E há pequenos gestos que fazem muita diferença.

 

5 formas de estar presente

1. Diz o nome do animal.

«Lamento muito pelo Romeu» diz muito mais do que um «é a vida».

2. Pergunta pela história.

«Como foi a vida dele contigo?» ajuda a abrir a porta às memórias. E quase toda a gente está à espera de que alguém a abra.

3. Troca «Já estás melhor?» por «Como te estás a sentir hoje?»

A primeira já traz uma resposta certa, mas a segunda dá espaço a que a pessoa seja sincera sobre o seu estado de espírito.

4. Marca a data.

Uma mensagem no dia em que faz um ano, ou num dia que era especial para os dois, vale mais do que imaginas.

5. Oferece ajuda concreta.

«Levo-te o jantar na quinta-feira» é ajuda.

«Diz se precisares de alguma coisa» é, muitas vezes, uma forma simpática de não fazer nada.

No fundo, ajudar é simples: reconhecer que aquele animal existiu, que a perda é real e que o amor que ficou merece ser levado a sério.

 

Dois anos depois: o que ficou

Passaram mais de dois anos. A Ana diz que já integrou a perda.

Quando olha para as fotografias, ainda tem saudades daquela barriga, daqueles pelos, daquelas patas na cara. Mas já não há sofrimento.

Há outras coisas mais tranquilas: memória, carinho e gratidão.

Para muita gente, as redes sociais ajudam neste caminho: guardam as recordações e põem-te em contacto com quem sabe o que estás a sentir.

Para a Ana, o Facebook tornou-se um lugar de memória. Estão lá todas as fotografias e publicações que fez ao longo dos anos, um arquivo vivo da relação dos dois.

«Não me deixa esquecer dele», diz.

E se o Romeu aparecesse hoje à porta, o que a Ana lhe diria?

Primeiro vem o humor:

"Volta que estás perdoado. Estou a brincar. (risos)"
— Ana Fonseca

Depois, a ternura:

"Diria que foi muito bom tê-lo conhecido e que estou disponível para qualquer aparição, mas acho que ele sabe isso. Sinto que continua a haver uma ligação forte."
— Ana Fonseca

É isto o luto: lembrar e continuar a viver, enquanto a relação encontra outra forma de existir.

Se gostas de histórias de encontros improváveis, conhece também a Amélia, uma gata encontrada na rua que acabou por escolher a sua própria família, no artigo «A Realidade do Abandono Animal em Portugal».

 

Até um dia, em Dornes

Para a Ana, não há diferença entre o amor por uma pessoa e o amor por um animal. São todos seres com alma, e é com a alma que se relaciona.

Por isso, choca-a ver animais tratados como descartáveis ou como seres menores.

"Os animais têm emoções, sentimentos e memórias; eles não guardam rancor, mas não esquecem o que passaram. […] E a ligação que criamos com eles, de coração e alma, é um amor para a eternidade."
— Ana Fonseca

Talvez por isso, quando fala do Romeu, a despedida nunca pareça definitiva. Para ela, os laços verdadeiros não acabam com a morte. Transformam-se.

Há um lugar de que gosta muito: Dornes, uma pequena península banhada pelo rio Zêzere. Quando pensa num reencontro, é ali que o imagina.

Com o Zé Carlos, o companheiro de vida que também partiu em 2024. Com o Romeu. Com o Flash, um gato amarelo que lhe ensinou muito sobre desprendimento e despedida.

"Tenho sempre esta coisa de que os vou tornar a encontrar, o Zé Carlos, o Romeu e o Flash."
— Ana Fonseca

Podes ver nisto uma crença espiritual ou só uma forma de manter a ligação viva. Seja como for, há relações que continuam dentro de nós muito depois de a presença acabar.

Depois dos anos juntos, da doença, da despedida e das saudades, volto à pergunta do início. Agora, a resposta é tua:

Era só um animal? Só um cão? Só um gato?

Antes de responderes, ouve a Ana. Quando fala dele hoje, ainda o faz no presente:

"Era, e é, realmente, um ser muito especial, uma alma grande. A partida dele deixou um vazio enorme, e recordar isso ainda me traz lágrimas aos olhos, mas são saudades que vamos integrando ao longo da vida. E tenho sempre esperança de um dia o encontrar, noutros patamares energéticos."
— Ana Fonseca

Se estás a viver a perda de um animal de companhia e precisas de um espaço para falar sobre isso, conhece o Programa de Apoio ao Luto Animal. É um percurso online e ao vivo, com um grupo pequeno, para compreenderes o que sentes e aprenderes a viver com a ausência, sem deixares para trás a relação que construíste.

Se tens dúvidas, vamos conversar primeiro. Agenda a tua sessão gratuita de 30 minutos.

 

Um agradecimento especial

Obrigada, Ana Fonseca, por partilhares a tua história com o Romeu, com tanta verdade e carinho. Pelas memórias que nos fizeram rir, pelas que nos emocionaram e pelas fotografias que nos deixaste ver. Graças a ti, muitas pessoas vão sentir que a saudade que guardam também merece ser dita em voz alta.  

As fotografias do Romeu que acompanham este artigo são da Ana, que as partilhou com todo o carinho.

 

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Bibliografia

 

Perguntas frequentes sobre o luto animal

 
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